Talvez o maior risco de Candida auris não esteja em uma grande falha.
Pode estar na soma de pequenas falhas consideradas normais.
1. Usar qualquer “fungicida”
- auris não deve ser tratada como sinônimo de qualquer outra Candida.
A eficácia precisa ser apropriada ao organismo.
2. Depender exclusivamente de QAC
O CDC alerta que produtos exclusivamente dependentes de compostos quaternários de amônio não são eficazes contra C. auris.
3. Ignorar tempo de contato
Aplicar produto e não manter as condições necessárias de exposição pode comprometer o processo.
4. Limpar apenas o que parece sujo
Contaminação microbiológica não precisa produzir alteração visual.
5. Esquecer equipamentos compartilhados
Glicosímetros, manguitos, ultrassom, carrinhos e outros equipamentos podem participar da transmissão.
Devem ser processados após cada uso conforme orientação aplicável.
6. Não definir quem limpa
“É responsabilidade da equipe” pode signific:
não é responsabilidade de ninguém.
Cada equipamento e superfície crítica precisa ter responsável definido.
7. Confiar apenas na limpeza terminal
O paciente pode permanecer no quarto durante dias ou semanas.
A limpeza concorrente continua necessária durante a permanência.
8. Medir apenas quantidade
“Todas as limpezas foram realizadas.”
Ótimo.
Mas:
foram realizadas quando deveriam?
Quantidade e aderência temporal são indicadores diferentes.
9. Treinar uma vez e considerar o problema resolvido
Turnover, férias, admissões e mudanças de protocolo fazem o conhecimento operacional mudar continuamente.
Educação precisa acompanhar a operação.
10. Usar tecnologia como substituto de processo
UV-C e outras tecnologias podem complementar a estratégia.
Não substituem automaticamente limpeza convencional, produto adequado e técnica.
O padrão por trás dos dez erros
Perceba que quase nenhum deles depende exclusivamente do profissional que segura o pano.
São falhas de:
protocolo;
produto;
governança;
treinamento;
dimensionamento;
monitoramento;
comunicação.
Por isso, culpar apenas o operador de limpeza é uma forma muito pobre de investigar um problema ambiental.
Candida auris é um teste de maturidade
Um hospital preparado deveria conseguir responder rapidamente:
qual produto usamos?
quem limpa cada equipamento?
qual frequência?
como auditamos?
como registramos falhas?
como corrigimos?
como comunicamos transferências?
Se essas respostas dependem da memória de algumas pessoas, ainda não temos um sistema.
Temos conhecimento disperso.
E conhecimento disperso é vulnerável justamente quando mais precisamos dele.
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