O elevador pode estar roubando 1260 horas mês da sua equipe de limpeza hospitalar
Talvez sua equipe não precise andar menos.
Talvez precise trocar menos de andar.
Em hospital, o problema do elevador não é simplesmente subir ou descer alguns pavimentos.
O verdadeiro problema pode acontecer antes mesmo de o operador conseguir entrar.
Imagine a cena.
O profissional termina uma limpeza, leva o carrinho até o elevador e espera.
O elevador chega.
Está lotado.
Há pacientes, acompanhantes e profissionais.
Uma maca precisa embarcar.
Naturalmente, a prioridade é assistencial.
O operador espera o próximo.
O segundo elevador chega.
Também está cheio.
Ou novamente há transporte de paciente.
Ele espera.
Às vezes, só consegue embarcar no terceiro elevador.
E depois alguém pergunta:
“Por que essa equipe está demorando tanto?”
Talvez porque ela não esteja demorando para limpar.
Talvez esteja demorando para chegar.
Um elevador que chega não significa um elevador disponível
Normalmente perguntamos:
“Quanto tempo o elevador demora para chegar?”
Mas talvez a pergunta mais importante seja:
Quantas vezes o elevador precisa chegar até o operador conseguir embarcar?
Porque a espera não termina quando a porta abre.
Termina quando o profissional consegue entrar.
Depois que ele finalmente embarca, subir dois, quatro ou seis pavimentos pode representar apenas uma parcela do tempo total.
O grande gargalo pode ter ocorrido antes da porta fechar.
Horizontal pode ser mais rápido que vertical
Usando como referência uma velocidade operacional de aproximadamente 0,9 metro por segundo:
100 metros ≈ 1 min 51 s
150 metros ≈ 2 min 47 s
200 metros ≈ 3 min 42 s
250 metros ≈ 4 min 38 s
Agora imagine uma troca de pavimento consumindo cinco minutos entre:
espera,
elevador lotado,
prioridade assistencial,
nova espera,
embarque,
paradas
e chegada ao próximo ambiente.
Nesse mesmo tempo, o profissional poderia percorrer aproximadamente 270 metros horizontalmente.
Isso leva a uma conclusão importante:
O ambiente fisicamente mais próximo nem sempre é o ambiente operacionalmente mais próximo.
Um ambiente a 30 metros, mas em outro pavimento, pode demorar mais para ser alcançado do que outro a 180 metros no mesmo andar.
Minha dica logística
“Sempre que o dimensionamento e a demanda permitirem, mantenha a equipe territorializada por pavimento. Priorize os deslocamentos horizontais e reduza as trocas verticais desnecessárias. O principal gargalo não é necessariamente quantos andares o profissional precisa subir ou descer, mas quanto tempo ele perde até conseguir embarcar no elevador.”
Em uma frase:
Equipe por andar sempre que possível. Deslocamento horizontal como padrão. Elevador como exceção logística.
Isso não significa engessar a operação.
Altas, emergências, isolamentos, limpezas terminais e picos de demanda continuarão exigindo remanejamentos.
O princípio é outro:
territorialize a rotina e mantenha mobilidade para as exceções.
Uma coisa é usar o elevador quando existe necessidade operacional.
Outra é criar uma rotina em que o profissional passa o turno inteiro:
subindo, descendo e esperando.
Quanto isso pode representar?
Vamos fazer uma simulação.
Imagine uma operação com 140 profissionais de limpeza.
Suponha que cada profissional consiga evitar apenas:
6 deslocamentos verticais desnecessários por turno.
E que cada deslocamento evitado represente uma economia líquida conservadora de:
3 minutos.
São:
18 minutos recuperados por profissional por turno.
Multiplicando pelos 140 profissionais:
42 horas de capacidade operacional recuperadas por dia.
Em 30 dias:
1.260 horas.
Ou aproximadamente:
157 jornadas de trabalho de 8 horas.
É uma simulação.
Cada hospital precisa medir seus próprios tempos.
Mas ela mostra como poucos minutos, multiplicados por uma grande equipe, podem virar centenas de horas.
O elevador não precisa parar por horas para roubar horas da operação.
Basta consumir alguns minutos de cada profissional, várias vezes ao dia.
E cuidado ao chamar isso de baixa produtividade
Se não medimos deslocamento, espera e troca de pavimento, corremos o risco de atribuir tudo ao trabalhador.
O relatório diz:
“Operador abaixo da produtividade.”
Mas talvez ele tenha:
esperado vários elevadores,
cedido prioridade para pacientes,
cruzado diferentes pavimentos
e perdido dezenas de minutos tentando chegar aos ambientes.
Nesse caso, talvez estejamos medindo:
arquitetura, logística e organização
e chamando tudo isso de:
produtividade individual.
Faça um teste simples
Durante uma semana, registre três coisas:
quantas vezes cada profissional muda de pavimento;
quanto tempo leva da saída de um ambiente até a chegada ao próximo em outro andar;
quantos elevadores chegam até ele conseguir realmente embarcar.
Depois compare com a alternativa de concentrar mais atividades dentro do mesmo pavimento.
Talvez algumas trocas verticais continuem sendo necessárias.
Ótimo.
O objetivo não é eliminar o elevador.
É eliminar a troca de pavimento que não precisava acontecer.
Faça esse teste.
Conte quantos elevadores chegam até um profissional da limpeza conseguir realmente embarcar.
1? 2? 3? 4?
Se o resultado surpreender, talvez você tenha encontrado um gargalo que nunca apareceu na sua planilha de produtividade.
E aí fica a pergunta:
No seu hospital, a equipe está demorando para limpar — ou demorando para chegar?
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Autor: Henrique Klein — CEO e Fundador da Elroi Tecnologia Hospitalar, Fundador e Diretor de Inovação da Biont Biotecnologia, além de Inventor e Pesquisador Independente em Tecnologias para a Saúde. Todos os direitos reservados.




