Um caso de Candida auris é confirmado.
A partir desse momento, não existe apenas um problema microbiológico.
Existe um problema de:
comunicação;
isolamento;
assistência;
higiene das mãos;
ambiente;
equipamentos;
treinamento;
auditoria;
rastreabilidade.
O controle ambiental precisa entrar rapidamente nessa resposta.
1. Ativar a governança
CCIH/SCIH, liderança assistencial, enfermagem, higiene, hotelaria, qualidade e demais áreas envolvidas precisam conhecer o caso e suas responsabilidades.
O CDC recomenda que serviços tenham plano de resposta e incluam os Serviços Ambientais na preparação.
2. Revisar imediatamente o desinfetante
O produto utilizado possui eficácia apropriada contra C. auris?
Não basta ser “fungicida”.
Não basta funcionar contra Candida albicans.
Produtos exclusivamente dependentes de QAC são especificamente desaconselhados pelo CDC para essa finalidade.
3. Definir a frequência
Quartos de pacientes devem receber limpeza e desinfecção cuidadosa pelo menos diariamente e terminal na alta ou transferência, segundo o CDC.
O protocolo institucional pode exigir intensificação conforme avaliação de risco e orientação epidemiológica.
4. Mapear superfícies e equipamentos
Quem limpa:
leito?
mesa?
banheiro?
monitor?
manguito?
ultrassom?
carrinho?
ventilador?
equipamento de fisioterapia?
A resposta “depende” precisa ser substituída por responsabilidades formais.
5. Equipamentos após cada uso
O CDC orienta desinfecção dos equipamentos compartilhados após cada utilização.
Esse é um ponto crítico porque equipamentos podem transportar o problema para fora do quarto.
6. Reforçar treinamento
Treinar não apenas higiene ambiental.
Enfermagem, fisioterapia, transporte e outras equipes que manipulam equipamentos ou entram no ambiente também precisam compreender suas responsabilidades.
7. Auditar
O CDC recomenda auditorias de práticas de controle, incluindo limpeza e desinfecção ambiental, com feedback.
Durante surtos, pode ser indicado intensificar essas auditorias.
8. Registrar inconformidades e correções
Uma falha encontrada e corrigida é informação valiosa.
Uma falha encontrada e apagada do histórico é perda de informação.
O processo deveria preservar:
o que falhou;
quando;
onde;
quem identificou;
como foi corrigido;
quando foi encerrado.
9. Controlar transferências
O status de C. auris precisa acompanhar o paciente quando houver transferência para outra instituição.
Isso evita que a cadeia de prevenção seja reiniciada do zero.
10. Investigar o ambiente sem procurar culpados
Em surtos, a pergunta mais útil não é:
“Quem errou?”
É:
“Onde o sistema permitiu que a falha acontecesse?”
Produto?
Treinamento?
Frequência?
Equipamento?
Comunicação?
Capacidade operacional?
Responsabilidade?
Um surto testa o sistema inteiro
Protocolos parecem excelentes em períodos tranquilos.
É durante pressão epidemiológica que descobrimos se realmente funcionam.
- auris não testa apenas nosso desinfetante.
Ela testa nossa capacidade de transformar protocolo em operação.
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